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A
origem do nome de Penaverde advêm de dois étimos, o primeiro dos quais
"PENN", termo de origem céltica e que significa "pedra", "penedo", "monte
fortificado"."PENN" degenerou em "pennia" do latim bárbaro, donde nos
veio "peña" que, segundo Viterbo significa cabeço, outeiro, monte ou
rochedo onde antigamente se fundavam os castelos, praças ou defensões.
O outro termo, o adjectivo "VERDE", surgiu para qualificar a fisionomia
e o colorido da região. Os Romanos terão classificado e qualificado
as diferentes "peñas" para as localizar e distinguir ( Penamacor, Penafiel,
Penalva, Penedono,...).

Assim
sendo, podemos deduzir que Penaverde terá tido a sua origem topográfica
num dos dois castros existente na região: o Castro da Gralheira e o
Castro de Queiriz.
Em
toda a zona existem diversos testemunhos das construções dos primórdios
das ocupações humanas. Do período Paleolítico e Neolítico destacam-se
a Orca da Matança, uma caverna pré-histórica no povoado antigo de S.
Pedro dos Matos (Castro da Gralheira) e várias estruturas Megalíticas
de tipo dolménico. Também a civilização
romana deixou
vestígios significativos
na região. Para além das estradas e das sepulturas Antropomórficas,
foi encontrado na mina do Soitinho uma edícula esculpida num pedaço
de granito com a inscrição GE-NI-O-COR.
Segundo
o pergaminho existente na Torre do Tombo, foi a 12 de Julho do ano de
1240, na Guarda, que D. Sancho II concedeu foral a Penaverde.
Mais tarde D. Afonso III (1258) ordenou Inquisições para se saber quais
os terras que andavam indevidamente na posse do clero e da nobreza.
Estas permitiram colher informações bastante elucidativas quanto à forma
como as tributações eram feitas aos moradores e sobre o sistema fiscal
em vigor. Assim ficamos a saber que a terra era toda foreira do Rei,
de jugada e que o processo de atribuição de colecta era baseada no número
de juntas de bois que o vilão possuísse. No reinado de D. Dinis as Inquisições
vieram confirmar que no julgado de Penaverde não havia nenhumas terras
privilegiadas.
Em
1514, a 17 de Junho, também
D. Manuel deu o foral a Penaverde.
Segundo
o Cadastro da População do Reino, em 1527, o concelho de Penaverde totalizava
178 moradores e era na altura o maior arciprestado da diocese de Viseu,
com 49 freguesias.
Transcrevo
agora a Corografia de P. Carvalho Costa (1708) que diz que "
Três légoas de Trancoso
para o poente tem o seu assento a vila de Penaverde a quem deu foral
El-Rei D. Sancho o Primeiro; hé também do Bispado e Provedoria de Viseu;
tem 203 visinhos, pessoas maiores 600, menores 80 com huma Igreja Parroquial
dedicada a N. Senhora da Purificação, Vigayraria do Bispo e três Ermidas.
Governa-se por um Juiz Ordinário, Vereadores, Hum Procurador do Concelho,
Escrivão da Câmara, Juiz dos Órfãos, com seu escrivão, Hum Alcayde e
Hum Capitão mor com três companhias de Ordenança da Villa e seu termo
o qual abundam de pão, vinho e castanha e tem as freguesias as seguintes:
S. Sebastião de Dornelas tem 180 visinhos, pessoas maiores 430 e menores
50.
Santa Águeda de Queiriz tem 90 visinhos, pessoas maiores 320 e menores
36.
Santa Marinha do Forninhos tem 90 visinhos, pessoas maiores 300 e menores
30.
Todas estas freguesias são curadas que apresenta o Vigário da Igreja
de N. Senhora da Purificação de Penaverde."
Oliveira
Freire situa a Vila de Penaverde na Comarca de Pinhel com freguesias
de 204 fogos e 653 almas. Desapareceu o concelho de Penaverde em 1836
para ser agrupado no de Trancoso. Ficou definitivamente incorporado
no de Aguiar da Beira quando este foi restaurado em 1840.
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